Com a longevidade, adultos com mais de 60 anos vão à luta, buscando seu espaço produzindo e se tornando indispensáveis
Otto Von Bismarck, um senhor de 58 anos, conhecido como o "chanceler de ferro", estadista mais importante da Alemanha do século 19, inventou a aposentadoria, ou seja, determinou que uma pessoa com mais de 60 anos fosse velha.
Só que naquela época menos de 3% da população chegava a esta idade. Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS), reconsiderou que a idade determinante para a velhice, de 65 anos fosse elevada para 75, em função de estudos e levantamentos estatísticos mundiais, que atestaram o aumento progressivo da longevidade.
Muita coisa mudou para o indivíduo da terceira idade que hoje é cada vez mais requisitado no mercado de trabalho, e os velhos cabelos brancos nem sempre significam aposentadoria.
Um dos cargos para os quais as empresas, principalmente de contabilidade, despachantes e advocacia, cada vez contratam mais é o de "office old", ou seja, "office velho". São muitos os fatores que contribuem para isso. Um deles é a fila de banco, com atendimento preferencial garantido pelo estatuto do idoso, as empresas ganham no tempo, pois os pagamentos são feitos mais rapidamente.
E não para por aí. Os "velhinhos" da melhor idade adaptaram-se à nova realidade, e muitos deles retornaram à faculdade. Em São Paulo, a Universidade Aberta à Terceira Idade (nome dado ao programa com cursos de atualização oferecido pelas universidades à população com mais de 60 anos) oferece cursos de reciclagem e de graduação. Eles são ministrados na PUC-SP, USP, ESALQ-USP, UNESP e muitas outras.
Um exemplo dessa nova postura do idoso é Neusa Maria de Oliveira, uma senhora de 64 anos que trabalha como telefonista em uma empresa de Segurança e Medicina do Trabalho. Além da carga horária diária, dona Neuza, como gosta de ser chamada, ainda encontra tempo e disposição para trabalhar como voluntária no Instituto Fraternal de Laboterapia (entidade que cuida de dependentes de álcool), na Federação Espírita e no Hospital Pirapitingui, na cidade de Itú, interior paulista, que frequenta há 30 anos O segredo de dona Neuza? Ela diz que é a fé, "sem ela não se consegue nada".
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| D.Neuza - Foto: Léia Lima |
Segundo estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no censo de 2000, o número de idosos era cerca de 15 milhões. As estimativas para os próximos 20 anos indicam que a população idosa poderá ultrapassar os 30 milhões, chegando a representar quase 13 % da população. Hoje, os idosos representam aproximadamente 8,6% da população. Só em São Paulo são 3 milhões, 8% dos paulistanos.

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