quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cultivo de dendê na Amazônia gera polêmica


Planta atrai investidores e ambientalistas temem desequilíbrio na fauna


Quando se fala em dendê, o que vem à cabeça é comida baiana, mas o panorama atual da oleaginosa é outro. A planta tem atraído investidores nacionais e estrangeiros que visam o mercado de biodiesel, o que pode causar mais problemas ecológicos

O dendê é a principal fonte mundial de óleo vegetal e superou a produção da soja há mais de três anos. Interessados aguardam a alteração do Código Florestal que permitirá a recuperação obrigatória das reservas na Amazônia. São cerca de 70 milhões de hectares de áreas degradadas da região passíveis de serem utilizadas para o cultivo do dendê.

Depois de cultivada, a planta é explorada por décadas sem necessidade de preparo da terra, proporcionando cobertura permanente do solo e evitando o impacto direto das intensas chuvas que provocam erosão e a lavagem do solo pelas enxurradas das águas. Quando ocorre o processo erosivo, sedimentos são carregados para outras áreas, extraindo nutrientes do solo, deixando-o mais pobre. Esse fenômeno é conhecido como lixiviação.

Quem não vê com bons olhos este projeto de alteração do Código Florestal são ambientalistas e movimentos sociais, que o apelidaram de "Floresta Zero", por considerarem que sua aprovação diminuiria a reserva legal e fortaleceria a exploração predatória.

Desde a década de 90, com a valorização do dendê no mercado mundial, uma catástrofe ambiental e social abateu-se na Indonésia, Malásia e em outros países asiáticos, onde extensas áreas de florestas foram substituídas pela planta e milhares de pequenos agricultores acabaram expulsos de suas terras.

Segundo Ricardo Lopes, engenheiro da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) na Amazônia, existe a preocupação de a expansão dessa cultura incentivar o desmatamento. Por outro lado, apenas com a recuperação de parte do território condenado é possível atender a demanda regional e até mesmo nacional.

O engenheiro ressalta ainda que a expansão da plantação não ocorrerá em escala alarmante, já que hoje existem apenas 60 mil hectares plantados atualmente. Aumentar essa área em cinco ou seis vezes, ou seja, atingir 300.000 hectares de plantio, faria o Brasil alcançar área semelhante a todo plantio de dendê da colômbia, mas ainda assim representaria menos de 1% da área já desmatada da Amazônia.


área desmatada na Amazônia - Foto: Google


Para se chegar a esses números, no entanto, será necessário muito investimento do governo e da iniciativa privada. As barreiras para a expansão são: falta de sementes, de infra estrutura, mão de obra e legislação que limita o uso de 20% da área, entre outros fatores. "Por isso ainda não existe possibilidade do dendê tornar-se vilão do desmatamento da Amazônia", garante Lopes.

Já para o pesquisador e professor do departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) Flávio Gandara, o maior problema é o cultivo do dendê em forma de monocultura. O cultivo de uma espécie em ambientes de alta biodiversidade produz impactos negativos especialmente sobre a fauna: Os animais que não se alimentam da planta desapareceriam, explica o pesquisador.

Outra ameaça é a adubação química dos dendezais. Cada palmeira de dendê demanda em em média seis quilos de adubo por ano para manter a produtividade rentável – as aplicações aumentam à medida que ela envelhece, exaurindo o solo. As chuvas levam os adubos para dentro dos rios, podendo causar descontrole na proliferação de algas e , consequentemente, desequilíbrio ecológico, como a morte de peixes.

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Um comentário:

  1. E verdade e um desiquilibrio a sustentabilidade que eles tanto falam fica pra segundo plano!!!isso tudo ja presenciei trabalhei na biopalma vale!!!!foram muitos igarapes que mudaram seus cursos leitos destruidos!!!!sem falar na quimica que em tempo chuvosos tbm tendem a cair nos igarapes !!!prejudicando os animais e os ribeirinhos!!e um caus pro mei-ambiente!!!mas a ganancia do homens e maior!!!

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